quinta-feira, março 16, 2006

Tanta amargura no meu coração

Sinto o meu coração amargo!
Nada me faz aquecer e despertar o coração.

Coração que não sente, não sofre
Mas tornou-me apagada de sonhos,
Nada me faz despertar um começo no amor
Nada me faz acreditar que poderá ser

Coração congelado, sim congelado, porque tenho muito dentro dele.

Centrada em mim mesma, como se eu fosse um refugio a mim mesma.
Nada de fora entra. Nada do que é dito é sentido como se tratasse de alguma verdade. Porque as verdades mudam, e o meu coração não gosta de ver as verdades a mudarem.Por isso o melhor é não acreditar, não sonhar, não ter ilusões, nem fazer interpretações. Não esperar que seja feito, dito, mostrado, sentido, o que o filme que eu realizei um dia tinha como guião.

a nossa cabeça faz filmes tão bonitos, coloca as personagens com papeis feitos por nós, e depois não encontramos os actores que correspondem.Enganam-se sempre, às vezes em cenas bastantes importantes. Não dizem as deixas tal e qual como eu, realizadora do filme, imaginei, não têm os comportamentos adequadas à personagem que criei.
É melhor não fazer filmes, para não precisar de ter que perceber. Eu não quero perceber ninguém, nem me perceber a mim própria, só ando a deixar fluir o meu corpo e alma . Se alguém tem de fazer fimes, que faça e que me tente compreender.
Eu estou aqui, só eu, sem nada que entre no meu coração. Para quê deixar entrar?
Alguém que tente me dar um gesto, de me dizer ou querer dizer alguma coisa, de me oferecer algo, de mostrar que me ama... vai receber um vazio da minha parte, sinais...não tento perceber...

Tanta coisa à minha volta me faz reforçar o que sinto, bolas!!!!

Mas espero que mude, porque tenho um coração sensivel, româtico, cheio de amor para dar e adoro SENTIR quando recebo AMOR!

Espero que alguém me derreta o gelo e me faça acreditar no amor, que me faça amar e ser amada para a vida toda! Sim é mesmo para a vida toda que eu quero. Não quero brincar com os sentimentos, não quero dúvidas.
Quero um amor como o da lagoa azul, descobrir a essência de cada um, sentido-a completamente, entregando-me corpo e alma, sem meio envolvente a pertubar. Naturalmente, com a própria natureza de cada um a unir-se, juntar-se na alma, como se de uma dança envolvente se tratasse, onde os corpos se encaixassem deliciosamente, facilmente provocando uma explosão iluminada transformando-se num novo Todo. O movimento envolve duas partes que unidas se complementam e vivem em harmonia, paixão e respeito - Magic!

O planeta terra foi formada em duas partes, a terra e o mar. Um sem o outro não vive, mas tem autonomia própria. E era impensável que alguma destas partes desaparecesse.


Mas não gosto de terminar sem ser positiva perante a vida, o importante é que eu estou viva, bonita, saudável, com trinta e três anos e só com o coração congelado, mas tenho-o, é só deixar derreter (embora que hoje seja dificil haver o calor necessário para o derreter).

E com a ajuda de Fernando Pessoa termino com um poema dele:


Ser feliz
"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..." Fernando Pessoa
Quero acreditar que seja só uma crise, a dos 33 anos...